terça-feira, 19 de outubro de 2010

Para Tânia.


Desde que tomou conhecimento do blog, Tânia tem me pedido pra escrever um texto feliz. Ela diz que gosta do que eu escrevo, mas que quer muito muito muito ler umas linhas cheinhas de felicidade. É porque Tânia é minha amiga e não gosta da tristeza que vê em mim. Digo para ela: “ei, uma hora isso tudo passa, não se preocupa”, mas ela não acredita; ô menina sem sossego! Tudo bem, eu também não acreditaria em mim se me ouvisse sendo tão otimista. Tânia mora comigo e já sabe que minhas risadas nem sempre são verdadeiras e que meu silêncio diz muito mais que as baboseiras que eu possa vir a falar.
Tânia é uma das poucas pessoas que não vê só meus sorrisos; não sei por quê, mas a danada conseguiu conquistar minhas lágrimas também. Pobrezinha, quando menos espera vê uma loira descabelada soluçando em sua frente. E ainda que eu não divida com ela todos os problemas e pensamentos que poluem meu cérebro, certamente o que ela sabe é muito mais do que eu esperaria que alguém soubesse um dia. Tânia sempre tem uma solução pra tudo, ainda que os planos nunca passem da fase “arquitetando uma ideia”. Tudo nas palavras dela soa simples, mas no fundo a gente sabe que não é e acaba desistindo de tentar fingir que é. Assim, complicado. É um tal de chora e tenta e no fim não tenta nada.
Tânia mora no quarto ao lado e quando me vê deitada na cama, num esforço monstro de esconder a tristeza, vem correndo como quem vai executar um salto duplo, joga-se em mim gritando “montinho!” e se esparrama ao meu lado pronta pra me fazer rir. Num dia desses ela resolveu dar uma lambida no meu cabelo pra que eu parasse de pensar no que estava me entristecendo. E não é que a técnica funcionou? Porque aí eu deixei de pensar no triste pra pensar no “eeeeeeca”. Tânia é engraçada, decora músicas tão bem quanto um analfabeto lê um livro e faz caras e bocas que merecem um prêmio, tudo isso regado à tererê e amendoim japonês. Muito amendoim japonês.
Seu nome deveria ser Paciência, sobrenome “dos Complexos”. Dona Paciência dos Complexos. Primeiro porque ela me aguenta, simples assim. Depois porque vive se achando muito mais do que realmente é; mais gorda, mais feia, mais burra, quando na verdade é linda em todos os sentidos. Tânia ama a palavra grotesco - até hoje não entendo por quais motivos, - e também se esbalda de rir quando eu falo “crianças pestes”. Vai entender, não é? Procuramos há tanto tempo um nome para nossa república, mas acho que no fim deveríamos simplesmente chamá-la de Hospício ou Manicômio, porque de loucura não nos falta nada.
Mas a realidade é que não sei escrever sobre quem me faz bem. Ironia ou não, as únicas pessoas por quem perdi horas digitando, apagando e reformulando, foram as que menos mereceram. Porque, Tânia, veja bem, escrever é minha maneira de expulsar os tormentos e aqueles que os provocaram. Ou pelo menos na teoria, já que no fim não expulso nada. Então, minha amiga, como você espera que eu fale sobre você e para você, quando tudo que faz é me trazer felicidade?
É essa, penso eu, a maneira mais próxima que meu coração fechado e meus modos reservados encontram de dizer que te amo, nega (mesmo que você me faça engordar demais)!

3 comentários:

Tânia disse...

Amiga!
to até sem palavras pra agradecer o texto que fez pra mim, apesar de eu ter insistido muitissimo rs!
+ enfim ele esta ai e eu até me emocionei com sua maneira de lidar com as palavras, torna de uma simples e nojenta lambida no cabelo uma coisa ironica shahushahusha...
esse seu humor negro que eu adoro, alias adoro tudo em você, reformulando quase tudo! não gosto da maneira em que você se tortura(parece até jogos mortais né) hshaushha...
enfim sabe do que falo.
Mas estou aqui para agradecer de coração mesmo, obrigada.
AMIGAAA AMADA! E É PRA SEMPRE VIU!
incrivel como parece que te conheço a anos... Amoo Você Gata.

Gugu Keller disse...

Mas se verte em lágrimas lavas
O da poetisa coração magma
Sorri branco o papel com palavras
De dor dentes boca fechada
GK

jose alvaro fernandes disse...

Concordo com sua amiga sobre seus textos tristes, mas pensava que era uma personagem...Não leve a vida tão a sério menina - doi, envelhece, maltrata. A vida é mais leve quando a gente dexia

 
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