quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Garrafa de champagne.

É tarde e todo mundo já foi dormir. Sobrei eu, jogada no sofá com uma garrafa de champagne na mão e o vestido longo incomodando um pouco. Olhando para o nada e pensando em tanta coisa que nem sei dizer ao certo o que tenho em mente. Todo natal é assim. O povo reunido, comida boa, muita bebida e muita risada. Minha família não é dessas que se descabela nos encontros habituais de final de ano. Pelo contrário, somos cheios de amor e alegria. E até aí tá tudo bem. Eu capricho na maquiagem, arrumo o cabelo e escolho uma roupa bacana para ficar sentada na sala da casa da minha vó; minha família merece. Depois todo mundo vai dormir. E eu fico. Eu sempre fico.
Acontece que final de ano é uma época meio torturante pra mim. O natal me dá uma angústia impossível de explicar – embora, no fundo, tenha uma explicação muito plausível. Na virada de ano é a mesma coisa. Quando todo mundo vai dormir, algo se abate sobre mim. Não é só melancolia; é um caldeirão de tristezas, mágoas e arrependimentos de todos os anos. É um vazio brutal e cru. A cada ano que passa, um pouco mais é acrescentado à mistura. E ela chega com tudo. Eu encaro do jeito que dá. Me jogo no sofá com a tal garrafa de champagne, pronta pra algumas horas de solidão e uma espécie de desafio interno. É claro que, a essa altura, já não é mais a primeira garrafa. O telefone não toca, exceto por uma ou outra mensagem chegando. Nada demais.
Inconscientemente eu sei que fico com os olhos meio vidrados e distantes. Não dá pra esconder tudo o tempo todo. Eu devo ter passado a maior parte da minha vida tentando responder meus próprios problemas e criando ainda mais perguntas. Nunca busquei os métodos certos, tenho uma mania absurda de deixar tudo piorar achando que vai melhorar por conta própria. No final do ano esse tipo de coisa me acerta como um soco. Vem uma vontade de chorar, uma agonia, um peso no peito tão grande que parece que meu coração vai arrebentar.
O problema é que eu não sei o que é. Não sei se é solidão, falta de objetivo ou de amor. Talvez de amor-próprio mais até do que de outrem. Não sei aonde se cria tanto vazio. Não importa a situação em que me encontre, no final do ano o amargo engasgado na garganta é o mesmo. Realmente não sei e não tenho nem ideia de como começar a mudar. De quais caminhos traçar. Eu estudo, mas talvez devesse estudar mais. Não sei exatamente do que gosto... Ou mesmo de quem gosto. Tenho a vontade eterna de não fazer nada o dia todo. Se eu tivesse dinheiro, confesso que não sei se estaria passeando pelas ruas de Paris e fazendo pausas para cafezinhos ou se ficaria enfiada no meio dos cobertores para sempre.
Há algum tempo eu parei de me importar. Nesse natal eu não chorei. Talvez chore no réveillon, não faço ideia. Mas no natal eu não borrei a maquiagem. Só fiquei sentada, olhando para o céu lá fora através da janela grande da sala, pensando em um monte de gente e em ninguém. Em tudo o que quis ser, no que já fui, no que não consegui nem chegar perto de ser. Devo ter piscado algumas vezes, mas robotizei meus movimentos até a garrafa ficar vazia. Entre um gole e outro eu sempre acabo entendendo algumas coisas. Como o fato de que, nesse exato no momento, não há uma pessoa sequer no mundo que eu realmente ache que me faria algum bem. Que me traria algum conforto. Não tem ninguém em quem eu gostaria de me aninhar (e olha que eu sou pessoa que gosta do aconchego de um bom abraço). Não sei se isso é pra sempre. Talvez eu não tenha sido construída para o amor. Sei que já amei antes, mas não sei se sou capaz de amar de novo. Espero que sim. O problema maior é que parei de me importar. Perdi a paciência pra dezenas de coisas e passei a desistir muito fácil das pessoas. Se elas não cuidarem do afeto como eu cuido, esqueço. Não me importo. Eu não era assim e isso tem um lado bom, mas também tem um quê de terrível. Já fui de me entregar ao amor. Corpo, alma, tudo de mim entregue. Eu era cheia de coragem para isso. Hoje não tenho nem muita vontade de passar número de telefone. Não é só o medo da decepção e dos desamores, eu acabei ficando com preguiça de começar qualquer coisa. Eu era cheia de ondas gigantes de amor e entrega e hoje não passo de chuva rala que só deixa o tempo ainda mais abafado.
Quando subi a escada para dormir, parei em frente ao espelho e enxerguei meu desespero palpável. Um “socorro” tão grande estampado na cara que seria difícil ignorar. Fiquei encarando meu fantasma medíocre, imaginando onde estariam minhas lágrimas. Eu prefiro chorar. Prefiro sentir esse mundo horrível saindo de mim, apertando vísceras e me espancando por dentro para fugir. Mas dessa vez ficou tudo ali, batendo e martelando nos mesmos pontos; uma dor muito mais excruciante do que quando se bota pra fora. Vomitar sentimentos até que faz bem. Esse estado de sufocamento é muito pior.
São todas e tantas coisas. Eu vou seguindo com minha fotografia instantânea de sorriso amarelo dizendo que tá tudo certo. É mentira, não está. Estou implodindo, colapsando, enlouquecendo aos poucos. A cada dia mais um pedaço se esvai, como sangue escapando por uma ferida aberta. A verdade é que, no fim, fico largada no sofá sozinha porque sou sozinha mesmo. Cheia de tantas coisas, mas ainda mais vazia de outras. Sobra densidade, falta saber ser leve. Sobra liberdade, falta saber o que fazer com ela. Sobra amor, mas falta também. Fico, então, sozinha, sem saber ao certo quais são minhas prisões. Eu, minha garrafa e o vestido que incomoda. Até surge um sorriso em algum momento, quando estou quase pegando no sono. O natal acabou e eu sobrevivi de novo. Estou cada vez mais desfalcada, mas ainda viva. Ainda sinto cócegas nas entranhas, seja pra rir ou pra chorar. Sou como a garrafa de champagne borbulhante; vivo querendo transbordar, mas acabo apenas esvaziando. Sobra só uma gota lá no fundo dizendo que ainda dá pra encarar mais um pouco. E, de gota em gota, vou vivendo. Talvez não como deveria, mas do melhor jeito que posso.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Não é paixão, é maturidade.

Esta semana me perguntaram se eu estava apaixonada. Fiquei surpresa; não, não estou. Questionei o motivo e a pessoa me disse que era por causa do cabelo novo. Que eu tinha dado um “up” no visual, estava mais bonita e com um ar mais alegre e confiante. Dei risada, agradeci e respondi que não, definitivamente não tinha nada a ver com paixão. De fato, se mudei algo para a melhor foi justamente porque soube desapegar um pouco daquilo que mais me fazia mal. Das azias, enjoos e mal-estares que vêm das coisas que não posso consertar porque não estão ao meu alcance. Deixei de lutar por amores fracassados e passei a lutar somente pelo que vale à pena.
Me peguei pensando em quem me tornei. Não, não estou apaixonada, apenas convicta dos meus ideais. Posso não saber o que quero fazer do futuro e isso é um ponto fraco, sim, uma resposta que eu já deveria ter em mãos. Mas hoje sei muito bem pelo que me ergo e quais bandeiras levanto comigo. Levei uma picada de aranha na canela enquanto tentava resgatar dois gatinhos da pocilga em que foram abandonados. Passei horas debaixo de um sol de torrar tentando ganhar a confiança deles para trazê-los embora comigo. E consegui. Ficaria mais tempo se fosse necessário, suada e com as pernas doloridas. Hoje são dois animais a menos dormindo na rua. Enquanto lá fora está vindo tempestade, eles estão quentinhos e dividindo um abraço e um cobertor. Eu sou dessas que preferem os animais às pessoas. Cansei de explicar esse amor e nem acho que deveria. Esse é meu primeiro apelo: parem de colocar jaulas no amor. Ele não precisa fazer sentido, não requer conceituações, dispensa com prazer definições. O amor deve ser tão livre quanto nós.
Eu, que cresci cercada por amigos homens, hoje sou feminista. Sossegada, sem placas, mas engajada na conquista da igualdade de gêneros, na independência, no respeito. Não somos melhores, não queremos cortar a garganta dos homens que enxergamos pela frente, não pedimos nada além do que é nosso direito. Mas não se atenham às minhas palavras, existem muitas ativistas maravilhosas que podem explicar como dois e dois são cinco muito melhor do que eu. Passamos há muito tempo da concepção paranoica e objetificada de somas exatas – pelo menos na subjetividade da vida. Ok, com tudo que costumo escrever pode até parecer que sou dependente de homem, amor e outros entorpecentes intelectuais. Mas a verdade é que eu apenas romantizo o mundo. Na realidade só dependo de mim e estou em paz com a ideia da força que carrego. Entendi que nós podemos o que quisermos, inclusive não querer. Eu sou mulher. E, caramba, nunca gostei tanto disso. Aliás, em pleno século XXI ainda existem milhões de "matérias" sobre como conquistar um homem. Como devemos nos portar, o que devemos fazer, o que não devemos fazer, que maquiagem eles gostam, que tipo de roupa... Sério mesmo? Um grandessíssimo foda-se pra tudo isso. Vou me portar como quiser, fazer ou não fazer o que quiser e usar a cor de batom que bem entender. Se o cara curtir ou não é problema dele. Se isso vai conquistá-lo ou não é algo que não está nem remotamente entre as minhas preocupações. Isso não significa que não vou ser educada, agradável e ter bom senso. Significa apenas que farei tudo isso sem pensar se é o que está listado como “comportamento para ganhar um cara”, mas sim porque faz parte da minha personalidade.
Passei muito tempo em um relacionamento que me diminuía e me anulava. Dei o máximo de mim e tentei ser a melhor namorada possível, quando eu deveria ter focado em ser a melhor pessoa que minha integridade precisava. Permiti humilhações e traumas que talvez esse cara, que realmente se acha o senhor perfeito, não perceba que causou. Porque, no fim, a errada fui eu. Ou era o que parecia na época, ao menos. Se eu voltaria para esse amor hoje? Não sou de ferro e precisaria de uma força de Jessica Jones pra dizer não a ele e sim a mim, mas sei que conseguiria. Agora eu conseguiria. Porque agora eu entendi que qualquer coisa que venha será melhor do que o que passou, graças à força que aprendi a ter. Ou que apenas demorei a descobrir que tinha.
Depois de muitos anos acuada, hoje eu também acho que precisamos, sim, falar sobre a violência contra a mulher. Falar muito, aberta e exaustivamente, até entrar na cabeça das pessoas que essa é uma triste realidade. Ainda banalizada, mas uma realidade. Quando você menos espera já apanhou, já foi estuprada, já te abalaram física e psicologicamente. E se reerguer de qualquer forma de violência é uma tarefa árdua. Amor e submissão são coisas totalmente diferentes. Nenhum tipo de abuso é admissível. Nenhuma forma de agressão deve ser menosprezada. Nós podemos e devemos ter voz, especialmente porque muitas mulheres não têm. A gente nem imagina, mas elas precisam de nós. Eu já precisei. Talvez, no fundo, ainda precise.
Me disseram inúmeras vezes que eu não era capaz, que não conseguiria, que não daria conta; acabaram me convencendo. Mas apenas por um tempo. Parece que minha força não estava no cabelo, afinal, ao contrário de Sansão. Minha força reside dentro de mim, em um âmago muito mais profundo. Hoje eu tenho coragem para enfrentar obstáculos – muitos que minha própria mente faz questão de impor -, defender meus ideais e lutar pelo que acredito. Hoje não tenho vergonha de admitir que tenho depressão, ansiedade e síndrome do pânico e que é absolutamente horrível conviver com tudo. Hoje não sou mais capaz de silenciar minha voz para tentar em vão impressionar alguém que jamais me aceitaria do jeito que sou. Meu timbre é alto e ressonante e é assim que eu quero que seja. Sou pró tantas coisas que é mais fácil dizer que sou pró liberdade. Pró amor em qualquer de suas formas, pró família como quer que ela seja, pró diversidade, pró saiba-ser-único-e-não-se-esconda-em-um-personagem. Amor livre. Espírito livre. Decisões pessoais. Laicidade para nós mesmos, já que a do Estado não funciona. Já tem tanta coisa errada no mundo; homofobia, racismo, julgamentos, fofocas, machismo, bullying, dedo apontado para o outro, superioridade, maus-tratos contra animais, idosos e crianças... É tanta falta de empatia e compaixão que cada um disposto a defender algo precisa estar pronto para entrar num campo de batalha de dez contra um.
A coisa mais linda que eu vi essa semana foi minha prima, que tem dezesseis anos, falando sobre assuntos pesados e complexos como uma verdadeira mulher feita. Defendendo as minorias e apoiando causas. E, vejam só, para isso nem precisamos erguer o tom de voz, basta buscar o melhor dentro de nós. Bondade e gentileza são coisas impagáveis. Fechar os olhos para tudo o que está errado no mundo ou se juntar ao coro de vozes que difundem ódio gratuito não leva a lugar algum. A não ser, é claro, que você queira conviver com gente que não aceita nada diferente do seu umbigo (ah, ele, o centro do universo), do seu mundinho pequeno e babaca, da sua visão fechada por um antolho invisível. Mas, se for o caso, "você não tinha nem que estar aqui", como dizem.
Vocês ainda vão ler muita coisa sobre o vício do amor, sobre precisar de alguém, sobre decepções e amarguras. Mas esta não sou eu. Eu sou apenas a mulher por trás das crônicas. Aquela que toma um vinho quando dá na telha e cerveja com os amigos, escreve o que quer escrever e corta o cabelo do jeito que o humor mandar, sem tentar agradar qualquer pessoa que não seja ela mesma. E, principalmente, sem estar apaixonada. Muitas tristezas fazem parte da minha história e, sim, influenciam no resultado do que eu crio. Mas eu não sou só isso. Levei muito tempo para entender e aceitar que essa é apenas uma parte do todo. Aprendi a mudar por mim, porque mereço mudanças. Eu posso ser o que, quem e como eu quiser. Temos que ser nossos próprios heróis porque, no final das contas, ninguém vai lutar nossas batalhas por nós.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A pequena cama do escritório.

O silêncio é o grito mais alto de todos. Eu estou gritando o tempo todo, mas ninguém ouve. Provavelmente é melhor assim. Não importa quanto tempo passou; se foi um mês, um ano ou dez. Algumas coisas simplesmente terão, para sempre, a capacidade de nos fazer chorar, berrar e sentir a vida se esvaindo junto com a amargura das lágrimas por um breve momento. Algumas lembranças têm esse dom. Quem foi que disse, afinal, que todo dom é bom? Ou que toda lembrança é válida?
Pra tentar calar a intensidade dos meus próprios gritos calados, troquei de quarto por uns tempos. Não sei até quando, mas não aguentava mais respirar a atmosfera pesada e cheia de você, impregnada com seu cheiro e nossas lembranças. Foi no meu quarto que eu dormi no seu colo tantas vezes, que dei risada de coisas bobas, que te amei ensandecidamente. Foi lá que eu aprendi, talvez de forma errônea, que podia me entregar ao amor. Hoje, mesmo que nossas fotos e qualquer mínimo detalhe de nós dois estejam confinados em uma caixa bem guardada, meu quarto é feito de você. Tem seu rosto estampado em cada canto, seu nome, sua voz como uma onda etérea e persistente. Sua pele macia e quentinha espera por mim na cama, de braços abertos, em uma ilusão escancarada. No momento em que me deito, o frio é quase insuportável. Frio de solidão não há cobertor que aqueça.
Então, decidi me instalar por uns tempos na pequena cama do escritório. Uma cama de solteiro, cercada por estantes cheias de livros com outras histórias que não a nossa. Tenho dormido melhor; minimamente, mas já é alguma coisa. Você está aqui também, é claro; você está em todo lugar porque não sai de dentro de mim. Tenho pesadelos, você ainda me assombra, mas aqui sua presença não é tão forte. Aqui eu consigo respirar com um pouco menos de dificuldade, o ar é menos sufocante e rarefeito. Aqui, embora continue parecendo que duas garras estão esmagando meu coração, a dor é estável. Aqui me sinto em coma, enquanto lá, no quarto que já era nosso e não mais só meu, me sentia como a vítima estraçalhada em um acidente, que balbucia e não sabe dizer qual parte do corpo dói mais. Nesse quarto só caibo eu na cama. O fato de saber que estou confinada a um pequeno pedaço de colchão onde seu corpo não ficou marcado é embriagante. Um delírio de saudade que se ameniza por alguns instantes.
Mais do que qualquer outra coisa, na pequena cama do escritório estou cercada por todos os romances que nunca foram meus. Por tudo aquilo que deixamos de viver e que atormentou, enriqueceu ou aniquilou outros casais. Fictícios, mas mais felizes do que nós. Ou ainda mais imersos em tragédia. Tudo bem. Não é a nossa tragédia e isso já é mais do que eu poderia pedir à vida. Um breve descanso, uma dose de esquecimento momentâneo. Dores que não me pertencem. Dormindo aqui eu penso nas histórias de Elizabeth e Darcy, Winston e Júlia, Henry e Clare, Lancelote e Guinevere, Tristão e Isolda, Anna e Vronsky, Hazel e Gus. Até mesmo Heathcliff e Catherine e Werther e Charlotte parecem ter construído um final mais consistente para si do que o nosso. Fomos cheios de falhas e desencontros, ricos em amor e pobres em verdade e resiliência. E aqui esses espíritos saem das páginas e tomam conta de mim até o sono chegar. Pode parecer loucura, mas você repetiu tantas vezes que eu era louca que talvez estivesse certo, afinal de contas. Romeu acabou de me dizer que posso fechar os olhos e dormir. Ele e Julieta cuidarão do meu coração por algumas horas. 
Eu me apego aos livros que leio, não acho que um dia conseguiria vendê-los ou doá-los. E, entre tantos outros motivos, um deles é o fato de que cada pequeno conjunto de páginas me recorda algo que não somos nós e me afasta do nosso próprio livro não escrito. Do colchão que foi comprado quando você chegou. Dos abraços que viraram mera saudade. Das coisas que começaram a perder a forma. Da nossa história sem final, guardada para sempre na gaveta de um escritor preguiçoso que decidiu que alguma outra ideia – possivelmente clichê e com um elemento sobrenatural – valia infinitamente mais o esforço de ser explorada.
Resumindo, troquei de quarto e de cama por uns tempos. Estou no minúsculo escritório e toda noite parece que vai funcionar. Quando encosto a cabeça no travesseiro, vem a esperança de que será uma noite melhor e mais tranquila.  Mas sempre chega a hora da madrugada em que os personagens voltam a dormir e sobra só aquele do qual eu tanto tento fugir: você. É quando eu percebo que te escrevi muito mais do que gostaria e que mudar de cama não vai mudar o quanto você se impregnou em mim. Cada personagem mora em sua própria história, afinal. Por mais que eu queira fugir e procurar por outras alternativas, a verdade é que só existe você. Escrito, descrito, reescrito e manuscrito de todas as formas possíveis. Mesmo que hoje você já viva em outro livro, no meu o personagem é você. Meu par, minha história mais linda e triste, minha vida... Independente do cômodo em que eu tente dormir.

domingo, 24 de maio de 2015

Só mais um dia.

Andei me questionando sobre amor nos últimos tempos. Eu, que nunca mais amei ninguém depois de você, fiquei com medo. Tinha me acostumado com a ideia de ser sozinha para sempre. Mas aí bateu um calafrio, depois de tanto tempo. E se eu cansar dessa solidão, o que será de mim? Eu, que já nem sei mais o que é ir jantar fora com alguém interessante. Que troquei qualquer vaidade por pijamas velhos e confortáveis. Que desaprendi a olhar com curiosidade para outras pessoas. Por enquanto a solidão me cai bem. Veste como uma luva. Sempre gostei de ter meu tempo, meu silêncio, minha taça de vinho ou xícara de café sozinha. Tenho minhas esquisitices e, cheia de defeitos, estou longe de ser linda ou um crânio. Mas tudo o que eu era fora da solidão, era com você. Sabia sorrir porque minha vontade de abrir os lábios vinha de você. Sabia encostar a cabeça no ombro, me permitir abraços, toques, carinhos. Hoje, mais nada. Desaprendi a ser amada enquanto aprendia a te guardar bem dentro de mim. Me fechei para o mundo ao mesmo tempo em que te fechava aqui, da melhor maneira possível, tentando preservar o máximo de nós.
Talvez seja bonito isso de querer lembrar de nós dois a qualquer custo. Talvez tenha seu valor não querer te expulsar de mim, embora só eu consiga enxergar. O problema é que machuca. Você pincela minha mente em grande parte das vinte e quatro horas do dia, sete dias por semana. Tempo integral. Estou exausta. Saudade cansa mais que maratona, lembrança do que não pode ser ensandece mais do que doença. Minha cabeça não aguenta mais, meu coração está ficando menor a cada dia e meu corpo não se sustenta direito. E, encarando o escuro do quarto, sempre sozinha, vem o medo. Porque, por mais que eu jamais vá te esquecer, não sei se aguento o frio de nunca mais ter um abraço com um pingo de amor e de quero-cuidar-de-você. Sou forte e sei tratar meus ferimentos, mas, às vezes, quatro mãos estancam melhor um sangramento intenso do que duas. Eu preciso de cuidado e admitir não é a parte difícil... Permitir é que é. Ou acreditar que um dia ainda haverá alguém. Não me assusta estar só, não sou dessas pessoas que precisam de companhia para se reafirmar. Meu medo é solidão eterna. É exteriorizar para sempre a forma como me sinto hoje. Nunca mais amar ou ser amada.
Depois que você partiu, eu não fui mais capaz de encontrar a moça em mim que até se achava bonitinha usando um batom colorido ou qualquer coisa assim. Eu me sinto nada e provavelmente não há sensação pior do que a de ser nada. Por enquanto estou de acordo com meu mundo vazio e sem graça, mas tenho medo de abrir os olhos em alguma manhã, depois da habitual noite escura e sem esperança e me sentir apavorada pelo que, por agora, já me acostumei. E se a solidão me desgastar? Me deixar mais dura, mais distante, mais retesada do que sempre fui? E se me fizer perder qualquer habilidade de carinho? Eu já não permito mais que me abracem ou toquem em meu ombro. Carinho no rosto, então, é desesperador. Não posso, não consigo, me enlouquece de pavor. Tudo parece irreal, nada é confiável e, se um dia eu sentir o tremor de um olhar que pareça honesto, acho que minha reação será fugir para longe. Isso é o que mais me apavora. O fato de ter erguido ao meu redor muros tão altos que ninguém será capaz de transpassar. Ou sequer se dar ao trabalho de tentar, porque o risco não vale à pena. Até eu desisti.
Tudo isso já me fez te odiar por um breve momento. Mas o ódio está tão próximo do amor que não fez diferença. Já amaldiçoei você, confesso. Hoje só amaldiçoo as madrugadas em que não consigo dormir porque o peito está queimando de dor. Amaldiçoo a mim mesma por ainda lembrar de você. Amaldiçoo o dia que está por vir porque será mais um cheio de incertezas e pesares. Tem sido uma vida com lema de alcoólatra em reabilitação: só mais um dia. Eu posso aguentar por mais um dia. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Uma porção de paz e um café.

Tanta gente com medo de estragar o cabelo quando o clima fica úmido e tudo o que eu quero é tomar um banho de chuva sem hora para voltar. Por tempo demais eu procurei a felicidade. Como qualquer ser humano fadado ao fracasso nessa busca incessante e insana por aquilo que nem sabemos se existe ou que forma tem, tropecei, caí de cara no chão, ralei partes de mim, esfolei outras tantas e só encontrei frustração. Felicidade não se procura e muito menos se encontra. Ela existe, sim, mas é uma dessas coisas que vêm até você quando bem entende. Não aceita visitas e não oferece chá, mas toma um café de bom grado na hora que lhe convier.
Eu não achei a felicidade e ela também não me achou ainda. O que acontece é que, depois de muito correr e perseguir a pobre coitada, eu agora consigo entendê-la um pouco melhor. Ela é sobrecarregada. Todo mundo quer felicidade, mas nem todos estão dispostos a aceitar que ela está nas mais ínfimas coisas. No sorriso daquele cara (ou daquela moça, se você for o cara), no abraço de quem você ama, no começo de um novo amor, em um sorvete bem cremoso, na cerveja gelada com os amigos, naquele dinheirinho gasto em algo só para você ou em algo só para você que não precisa de dinheirinho algum porque não pode ser comprado. Em uma viagem, tempo em silêncio, bilhete, mensagem, afago. Seja o que for, a felicidade está naquilo que te faz perder o fôlego por alguns segundos. A felicidade é apenas esse segundo, um único instante em que o mundo parece encaixar todas as suas peças confusas. Não dá para querer que o universo não bagunce o quebra-cabeça em um de seus terremotos. Não dá para esperar felizes-para-sempre sem sequer saber até quando o sempre vai durar. Não dá para exigir eternidade das coisas que nasceram para ser passageiras. O que dá para fazer é ser feliz naquele instante e torcer para que ele dure um pouco mais. Que o banho de chuva seja mais longo, que o amor não acabe abruptamente, que você não perca as fotos daquela viagem incrível. Que o que acalma não tenha pressa e que o que faz sorrir não escape com tanta facilidade por entre os dedos.
Quando cansei de buscar uma felicidade que não me pertence, comecei a procurar por algo diferente: paz. Desde que tudo despencou, desde quando eu me vi sem saber o que fazer porque aquele cara tinha ido embora, tudo virou loucura. Noites insones, avalanches de pânico e tristeza, um buraco sombrio o tempo todo. Essa área escura continua ali, mas pela primeira vez eu quero – de verdade – deixar algumas frestas de luz forçarem suas entradas. Quero sorrir por nada, fazer o que amo, estar com quem amo e, quem sabe, até mesmo reaprender a amar. Se eu acredito tanto que as pessoas não são iguais, deveria ser a primeira a entender que pode ser que a vida me dê um tempo em algum momento. Que, se parece que vai dar certo, talvez tenha chance de dar. Que pode ser verdade e não só mais uma piada de mau gosto ou pegadinha.
O fato é que as coisas podem deixar de acontecer a qualquer momento. Em um segundo você está olhando com ternura para quem você pensou que fosse o amor da sua vida e no segundo seguinte ele está indo embora. Tudo pode ser perfeito agora e um desastre amanhã. Aceitar a instabilidade nos torna intimamente mais estáveis. Compreender que somos brisas e que mudamos a cada sopro que nos arrasta para um lado diferente é entender que, para as coisas essenciais, não temos controle remoto. E que é justamente aí que mora a beleza e a cor da vida.
Hoje não procuro mais aquela felicidade estereotipada. Procuro a liberdade de um amor tranquilo, de poder ser quem eu sou, de tomar um banho de chuva e ficar uma bagunça por fora que combine com o que sou aqui dentro. A felicidade está em algo como uma xícara de café quentinho; a paz está em poder fechar os olhos, segurar a xícara, sentir o aroma, beber um gole e sentir que absolutamente tudo se aquece naquele instante. Só por alguns segundos, mas é isso mesmo. Café também esfria, assim como o amor. Nunca estaremos cem por cento quentinhos ou seguros. A graça está justamente nesse inconstante quente-frio-quente-frio e, desde que não fique morno e estático, estamos no caminho certo. É claro que o quentinho do colo de um amor singelo ainda me fascina, mas não pode haver urgência naquilo que não podemos inventar. Amor não é válvula de escape e, se não for real, é melhor ter a paz da solidão até ele chegar.  
Hoje eu só quero deixar acontecer. Esquecer que meus dois pés estão sempre travados lá atrás e tentar dar um passo a frente, mas só um de cada vez para não tropeçar. Quero deixar a vida ser vida, torcendo para que seja melhor. Não perfeita, apenas melhor. Hoje eu entendo que se a felicidade nunca chegar, se ela realmente tiver ido embora e só tiver sobrado um ruído, vai ficar tudo bem. Em algum momento vou descobrir a paz e é com ela mesma que vou viver. De olhos fechados, braços abertos e sem medo da bagunça. Eventualmente, tudo se ajeita. Afinal, você sempre acorda em algum momento crucial do pesadelo.
Esperei tanto por tantas coisas... Que os planos se realizassem, que aquele cara ficasse, que eu pudesse guardar a felicidade bem segura dentro de mim. Esperei ser feliz sem saber como lidar com o que sentia. A segurança me deixou mais insegura do que nunca. Agora não espero nada exato e isso é infinitamente mais saudável. Não tenho grandes planos e não sei aonde quero chegar, mas sei que o caminho precisa ter um pouco de planície além das montanhas; não dá para sofrer a dificuldade da escalada o tempo todo. Não sei o que vai acontecer, mas sei que não quero mais ser a covarde que não corre atrás dos sonhos. Eu quero correr. Na chuva. Me sujando. Sorrindo. Torcendo para que tudo o que quero viver seja maior do que todos os medos que sinto. Quero correr atrás do meu sonho com uma mão segurando a minha ou completamente sozinha, tanto faz. Porque meu sonho, nesse momento, é só alcançar um pouco de paz. E, de quebra, uma xícara de café.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Se eu te amar.

Se eu criar coragem e te convidar para jantar, você promete sorrir e segurar a minha mão só por alguns minutos? Tem sido difícil fugir da rotina enfadonha da vida, da solidão dentro da garrafa de vinho, do sofá vazio e da falta de amor. É mais difícil ainda aceitar que não poderei ser sozinha para sempre, esperando por algo que nem eu entendo. Insisto que não quero amar e repito que não quero amor, mas olhando para o seu sorriso tenho me dado conta de que estou mentindo para mim mesma. Então, se eu te convidar para jantar, você topa? E se eu aceitar me jogar, você se joga também? Não quero mesmo um amor que só venha ou só vá, precisa ser um que saiba andar nas duas direções.
Para que você possa refletir um pouco, anotei algumas coisas para te dizer sobre como será se, por acaso, eu te amar. Vou me arrumar às vezes e passar horas em frente ao espelho tentando ficar bonita porque você merece. Vou me arrumar de graça, mesmo que você nem sempre dê valor ou que nossos planos incluam apenas um filme e um Nespresso sabor baunilha. Outras vezes vou te receber vestindo meus pijamas mais velhos, meu rosto de ressaca, cansaço ou carência, torcendo para que você me ache bonita mesmo assim. Vou usar salto alto, mas também vou andar com os pés descalços pela casa, colocá-los displicentemente sobre o sofá ou no seu colo e esperar que você não se importe. 
Se eu te amar, vou te admirar pelo seu jeito de ser e por suas qualidades. Vou comemorar cada pequena ou grande conquista sua e ficar feliz quando seus sonhos se realizarem ou quando você conseguir algo que almejava muito. Não vou querer que você seja perfeito e, mais do que isso, vou saber aceitar seus maiores defeitos. Não sem antes brigarmos uma vez ou outra, é claro, porque não sou de ferro. Só peço que não me faça de boba. Você tem todo o direito de sair com os seus amigos, mas preferir o bar com eles todas as noites, em detrimento do aconchego do meu coração cheio de amor, é tortura. O segredo é respeitar a individualidade e, ao mesmo tempo, saber ser um só. Eu também preciso do meu espaço, então entenderei o seu. Isso se chama maturidade. Mas sumiços de uma semana não sustentam relacionamento algum. O diálogo é tão importante para a saúde de um amor quanto o olhar apaixonado no meio de uma tarde quente ou o carinho no escuro da noite.
Às vezes vou surtar, seja qual for o motivo. Um ciúme bobo, a maldita TPM, o jeito estranho com que você me olhou ou agiu em algum momento inoportuno. Mas vou me debruçar em todas as maneiras possíveis para tentar reverter o problema. Ou simplesmente pedir desculpas, também não tenho problemas com isso. Vou tentar corrigir meus erros, especialmente com as lições que aprendi no passado. Vou ser rabugenta de vez em quando, até mesmo insuportável. E você vai desejar nunca ter me conhecido, eu sei. Mas espero que, no fim do dia, você acredite que eu fui a melhor coisa que aconteceu na sua vida. 
Se eu te amar, muitas vezes vou chorar no seu colo e você não conhecerá os motivos. Não preciso desabafar, só um carinho no cabelo já está de bom tamanho. Em compensação, quando você precisar chorar eu estarei pronta para te receber, enxugar suas lágrimas, te abraçar apertado, fazer um cafuné e te beijar de leve até você reaprender a sorrir. Se eu te amar, vou cuidar de você, cozinhar seus pratos preferidos e fazer o possível para enxergar seus olhos brilharem de felicidade. Vou parecer uma palhaça, vou ser anjo e demônio em uma só pessoa.
Vou abraçar com vontade e nunca mais querer sair do abraço. Vou faltar na academia às vezes só para ficar esparramada na cama com você, no quentinho do seu amor. Vou saber apreciar o fato de que, com o mundo inteiro de gente lá fora, você escolheu estar comigo. Dormir comigo, cantar comigo, fazer nada, viver loucuras, aguentar minhas crises inevitáveis, confiar em mim e a acordar ao lado do meu cabelo despenteado e da cara amassada de todas as manhãs. Se eu te amar, nós viajaremos juntos, beberemos, riremos um do outro e do mundo. Você vai perceber que vou te olhar como ninguém jamais te olhou. Mas é que eu sou assim; enquanto te observo, provavelmente imersa em paixão, estarei longe, pensando em como seria o mundo se você não estivesse nele ou se não estivesse ao meu lado. 
Se eu te amar, prometo não fechar os olhos para as coisas boas e encantadoras, para os pequenos gestos que sempre aumentam o tempo de vida útil do amor. Já fiz muito isso e sei que é fatal. Prometo dar valor a tudo, mesmo que seja só com um esboço de sorriso se eu estiver em um dia ruim. Vou apreciar a leveza de estar com alguém como você e vou te querer sempre mais. 
Não vou te ligar porque odeio telefonemas, mas isso não significa que eu não queira contato, apenas que prefiro qualquer minuto pessoalmente e que até uma mensagem me deixa mais feliz do que um “alô”. Também não sou do tipo que liga se você não reparar no novo corte de cabelo ou se algo está diferente, desde que você perceba o quanto de mim estou te dando, o quanto estou entregando para que nosso amor funcione e como abrir mãos desses pedaços é difícil para mim. Me torno incompleta para nos completar, se for preciso. 
Sabe, continuarei achando alguns atores e cantores absurdamente lindos e não vou me importar se você for louco pela Angelina Jolie, Jennifer Lawrence ou Scarlett Johansson. Nada disso significa que eu te amo menos ou que você não tem olhos para mim. Demonstra apenas que confiamos um no outro. Aliás, vou demorar muito a confiar em você e já peço desculpas por isso. A vida me deixou desconfiada e machucada demais, mas sei que se eu te amar conseguirei fechar os olhos com paz em algum momento. Também vou demorar a me declarar e assumir que te amo. E talvez isso aconteça no momento mais improvável, em uma noite qualquer, sem nada especial acontecendo ao redor. Talvez venha do impulso, talvez do álcool, talvez do desespero de uma discussão. Não importa. Quando eu disser que te amo, será a coisa mais verdadeira que você ouvirá da minha boca pelo resto dos nossos dias juntos. Vou demorar a deixar o gelo derreter e as pedras quebrarem, sou meio dura na queda mesmo. Mas, quando aceitar que te amo, farei tudo o que estiver ao meu alcance para demonstrar. Farei de tudo para dar certo. Não me incomodo com pouca coisa, desde que eu não seja um segundo plano. Desde que você deixe claro sempre que vale à pena ficar, que vale à pena o esforço.
Não vou pedir mais do que você pode dar e espero o mesmo em troca. Algumas coisas são difíceis para mim. Na verdade, amar é difícil para mim, assim como aceitar amor. Então, para ser sincera, o que espero é que você tenha paciência comigo. Eu dirijo pelos caminhos do amor na mesma velocidade de quem está passando pela lombada da rua em frente a uma escola.
Se eu te amar, tentarei deixar tudo perfeito, mesmo sabendo que perfeição não existe. Não sou flexível em relação ao amor; se não amo, não amo e pronto. O sentimento não vai surgir só pelo fato de eu pensar: “ele é um ótimo cara, vida, deixa que eu o ame, por favor”. Para mim não serve alguém só para dizer que tenho estabilidade. Precisa ser amor... E amor não se encontra em qualquer esquina da vida. Precisa ser leve, mas leveza não se compra.
O problema é que o amor é tão escasso que eu já nem sei se acredito nele ou não. O que é preciso fazer para ser insubstituível? Como se tornar a pessoa certa quando você nem sabe como não errar? Como conseguir essa magia que é amar alguém e ter alguém que te ame da mesma maneira? Não quero amar de novo para descobrir tarde demais que era uma mentira. Não acredito em amor pela metade e não vivo de utopias. Por isso mesmo, se eu te amar, você terá a parte mais linda de mim: aquela que ainda acredita, que ainda sonha, que entende os erros como formas de crescimento e que ainda vê beleza na vida.
Se eu te amar, não pedirei nada em troca. Espero apenas que você aceite meu amor do jeito que eu souber entregá-lo e que me ajude a fazê-lo crescer. Que se entregue também, sem reservas e segredos. Que sinta prazer em ir me conhecendo aos pouquinhos, um detalhe por dia, enquanto eu aprendo e memorizo tudo o que amo em você. Que não tome proveito dos meus deslizes e do meu jeito trôpego de amar e que não machuque a parte mais frágil de mim, quase toda despedaçada. Que a gente vá desvendando o véu de nós dois em sincronia e colando os caquinhos um do outro. Se eu te amar, espero que você sorria e segure a minha mão. Só por alguns minutos... Ou, quem sabe, por toda uma vida.
 
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